
Matéria: Quem explodiu a Ponte da Amizade?
Linha fina: Destruição da ponte é retratada em Conexão Brasil, versão nacional dos filmes de pancadaria, feito em Cascavel
Escrita por: Alessandra Martins
Veículo: Jornal do Estado – caderno Espaço 2, p. D.
Data de publicação: 02-02-1999.
Cascavel pode se tornar o núcleo brasileiro de filmes de ação. A Tigre Produções Cinematográficas – que começou com filmes de fundo de quintal e muita improvisação para esticar orçamentos de R$ 7.000 – roda a quarta produção com um investimento de R$ 900.000 e apoio da Lei do Audiovisual.
A supervisão de direção é de Luiz Carlos Lacerda, de For All, e a direção de fotografia de Cezar Elias, que trabalhou em Navalha na Carne, e do fotógrafo cascavelense premiado Cezar Pillati. O filme Conexão Brasil deve estrear em setembro.
A história culmina com a explosão da Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Cidade de Leste, na fronteira do Brasil com o Paraguai. Conexão Brasil é uma versão nacional do filmes de pancadaria, artes marciais, tiros e perseguições aperfeiçoados em Hollywood por atores como Jean-Claude Van Dame.
Encabeça o elenco o professor de karatê e dono de academia Talício Sirino, fundador da Tigre Produções Cinematográficas. “Há muitas academias por aqui e muitos atores para este tipo de filme”, diz o diretor de Conexão Brasil, Antonio Marcos Ferreira. “Eles fazem os golpes com realismo, mas, com as técnicas que usam, não se machucam”.
A qualidade dos filmes anteriores da produtora cascavelense – Fronteira Sem Destino, Acerto Final e A Filha do Chefe -, mesmo com os poucos recursos financeiros, impressionou Lacerda e o ator José Wilker. “Lacerda disse que as sequencias de Sem Fronteira foram as melhores cenas de ação já filmadas no Brasil”, diz Ferreira.
Conexão Brasil tem locações em Foz do Iguaçu, no Paraguai, em Cascavel e em Curitiba. A Tigre Produções faz parceria com a TV Tarobá – emissora da rede Bandeirantes de televisão na região Oeste do Paraná -, com a Funarte e com a Quanta Produções.
No último fim de semana, a equipe de filmagem esteve em Curitiba para fazer cenas na Escola de Polícia, com o Grupo Tigre e no Parque Barigui.
Enredo – Conexão Brasil conta a história de Franco, ex-agente da Polícia Federal. Em uma das operações especiais de que participa, ele impede a passagem de armas contrabandeadas do Paraguai para o Brasil.
Oscar, filho do chefão Dom Rigoberto, morre ao tentar fugir. Dois anos depois da morte, Dom Rigoberto planejava vingança. A esta altura, Franco está fora da polícia e é professor de Karatê. Ele se prepara para um campeonato de artes marciais. Durante as lutas, Isabel, mulher de Franco, é seqüestrada por Dom Rigoberto e Franco deverá salvá-la.
Produtora criada por Instrutor de karatê conta com trabalho de 100 pessoas
O primeiro filme da Tigres produções, Acerto Final (1993), na verdade nasceu nos palcos, porque não havia dinheiro para filmar. O idealizador da Tigre Produções Cinematográficas é o professor de karatê Talício Sirino, dono de academia e produtor. Ele aruá em todos os filmes da Tigre.
A Tigre Produções Cinematográficas hoje tem 100 pessoas envolvidas nos trabalhos, como atores, produtores, técnicos e captadores de recursos. Entre outras atividades, o grupo financiou a restauração de seis cinemas do Oeste do Paraná. A participação na bilheteria, divida com as prefeituras, mantém aTigre.
A produtora recuperou um projetor com que viaja pela região e faz projeções ao ar livre. Uma sessão de Titanic reuniu quase 1500 pessoas em uma praça.
Admirador de Al Pacino, Sirino diz que é fã de filmes de ação, mas eles devem ter conteúdo. “Como Um Dia de Cão”, afirma Sirino. “Também fiquei emocionado com Amor Além da Vida, com o Robins Willians. Cheguei a chorar”. Ele treina karatê e faz musculação há 15 anos.
Esse foi um dos motivos que levou a produtora a fazer o filme A Filha do Chefe, curta-metragem sem um tiro sequer, que participou do Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba.
No primeiro filme, atores trabalharam de madrugada e sem receber cachê
Para fazer o primeiro filme, Acerto Final, o diretor Antonio Marcos Ferreira – com experiência de teatro e apenas um curta – teve de contar com a boa vontade dos atores, que trabalharam sem cachê e em horários pouco convencionais.
“Como todo mundo tinha emprego, filmávamos das 23h às 4h”, diz Ferreira. As cenas diurnas externas eram feitas nos fins de semana.
Os efeitos especiais foram desenvolvidos com tecnologia cascavelense. O dono de uma loja de fogos de artifício, Ronivaldo dos Santos, entre erros e acertos, criou explosões e tiros comparáveis aos das grandes produções. “No começo, os primeiros tiros pareciam de bazuca, muito exagerados”, diz Ferreira.
Agora, Santos usa explosões de tiros por controle remoto. Em muitos filmes de Hollywood ainda são usados fios ligados a cápsulas no corpo dos atores. O próximo passo é desenvolver a técnica para explodir a Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai.
Intercâmbio – O contato com o diretor Luiz Carlos Lacerda, que supervisiona Conexão Brasil, aconteceu no Festival de Cinema de Brasília. O filme com que a Tigre Produções participou do festival foi Fronteira Sem Destino. Lacerda comentou que as cenas de ação eram as melhores já filmadas no Brasil.
A afinidade de Ferreira com os filmes de ações vieram da admiração por filmes como Tubarão, dirigido por Steven Spielberg, e O Exterminador do Futuro, de James Cameron. “Tenho facilidade para criar situações, enquadramentos e sequencias inusitadas”, afirma Ferreira.
Lacerda dá mais segurança ao grupo e garante que as filmagens funcionem. “É nosso primeiro filme feito diretamente em película. Não podemos errar”, diz Ferreira. Lacerda cuida principalmente das cenas com diálogo.
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